Projeto garante formação continuada de educadores de abrigos

 O Artigo 25 da Declaração de Direitos Humanos faz menção à criança como “detentora do direito a cuidados e assistência especiais”. Já a Declaração dos Direitos da Criança estabelece os direitos à educação, cuidados de saúde e proteção especial. A Aliança pela Infância, através de Suzana Soares e Patrícia Gimael, desenvolvem, desde 2012, o projeto “Arte, Educação e Cuidados para Crianças Abrigadas”, no intuito de garantir direitos de cuidados para bebês abrigados, em São Paulo.

O projeto visa instrumentalizar o educador para introduzir no cotidiano de abrigos estratégias de arte educação e atividades que colaborem para o desenvolvimento sadio de crianças de 1 a 6 anos. Utiliza os princípios de abordagem desenvolvidos na década de 1940 por Emmi Pikler, médica húngara, de que o adulto deve estabelecer uma relação de confiança, diálogo e interação com o bebê durante os principais cuidados (banho, troca de fraldas, alimentação). Além disso, o espaço é organizado para que o bebê possa se movimentar com mais liberdade desde muito cedo, o que proporciona maior autonomia (a criança conquista cada posição por si mesma na medida em que é capaz de manter sua postura) e melhor desenvolvimento motor.

Inovações
No ano passado, o projeto foi desenvolvido em quatro abrigos de São Paulo, em parceria com o IMPAES, por meio de apoio institucional, e com o Instituo Fazendo História, através de seu Projeto Palavra de Bebê. Neste ano o trabalho será desenvolvido com duas Instituições de Acolhimento: o Lar Nefesh e Amamos, sendo que este último está em fase negociação. Os dois locais atendem, principalmente, crianças pequenas.

A partir de avaliações e de conversas com especialistas, parceiros, com a equipe técnica das instituições de acolhimento e educadores o formato e o conteúdo a serem desenvolvidos foram repensados. Assim, esta nova versão do projeto traz algumas novidades. A decisão de trabalho com a metade do número de abrigos possibilitará o dobro de carga horária nos encontros de formação dos educadores e equipe técnica, permitindo maior aprofundamento. Também foram acrescentadas duas visitas anuais ao Instituto Tomie Ohtake, onde os participantes terão contato com a exposição de arte e participarão de oficinas de artes relacionadas à obra do artista.

Expectativas
“Recomeçar este processo com toda a experiência acumulada no ano passado é animador e é gratificante trabalhar com os educadores de instituições e seus acolhidos”, afirma Suzana Soares. A versão de 2013 traz a possibilidade de enfrentar, com êxito, mais este desafio.